História da franquia

O New Orleans Hornets é um time profissional de basquete situado na cidade de Nova Orleans, Louisiana, Estados Unidos. Eles jogam na Divisão Sudoeste da National Basketball Association (NBA). A franquia começou a atuar durante a temporada 1988-89 da NBA como  Charlotte Hornets, com sede em Charlotte, Carolina do Norte, onde permaneceram até o final da temporada 2001-02.

1985–1987: nasce o Charlotte Hornets

Em 1985, a NBA estava planejando se expandir com quatro novas equipes. George Shinn, um empresário de Kannapolis, Carolina do Norte, queria levar uma equipe da NBA para a área de Charlotte e, para isso, montou um grupo de destacados empresários locais para dirigir a franquia em potencial. Apesar do desenvolvimento crescente da cidade, alguns críticos duvidavam que Charlotte poderia apoiar uma equipe da NBA. No entanto, Shinn não desistiu de seu projeto e conseguiu, junto ao Estado da Carolina do Norte, uma casa para o seu novo time de basquete: o Charlotte Coliseum, uma arena com capacidade para quase 24.000 espectadores, que teve sua construção iniciada em 1986. Em 05 de abril de 1987, o comissário da NBA, David Stern, informou a Shinn que a concessão da franquia foi aprovada pela liga, e o time de Charlotte começaria a jogar em 1988.

Originalmente, a nova equipa iria se chamar Charlotte Spirit, mas um concurso para escolha do nome da equipe acabou tendo “Hornets (zangões)” como a opção vencedora. O nome foi derivado de uma feroz resistência da cidade à ocupação britânica durante a guerra revolucionária no século 18, o que levou o comandante britânico, lorde Charles Cornwallis, a se referir a Charlotte como “um ninho de vespas”.

Decidido o nome, a equipe escolheu o azul-petróleo como sua cor principal, uma novidade na época. Além disso, o Hornets foi o primeiro time da NBA a popularizar o uso de listras finas em uniformes, inspirando posteriormente projetos similares em outras equipes da NBA (recentemente, o Charlotte Bobcats adicionou riscas a seus uniformes, presumivelmente como uma homenagem ao Hornets).

Após a escolha do nome e das cores do time, a preocupação de Shinn passou a ser a obtenção de fãs para a nova equipe. Com isso, o empresário planejou capitalizar os torcedores do basquete universitário de Charlotte e, de certa forma, transferi-los para o Hornets. O plano deu certo, e tanto a cidade como as regiões mais próximas acabaram se identificando rapidamente com a equipe. Gradativamente, as vendas de ingressos para os jogos do Hornets foram crescendo, e o time começou a ganhar ainda mais popularidade em Charlotte e nas cidades vizinhas.

Com o apoio de um público crescente, Shinn sabia que só um time com bons jogadores poderia criar laços fortes entre a franquia e seus fãs. Dessa forma, o próximo passo do empresário foi a contratação de Carl Scheer, um executivo da NBA de longa data, como gerente geral da equipe. Scheer teria como missão recrutar alguns jogadores experientes, com a esperança de montar um time competitivo o mais rapidamente possível, para atingir o objetivo de alcançar os playoffs (pós-temporada) em cinco anos. Dick Harter, ex-treinador universitário e assistente técnico veterano da NBA, foi aproveitado como treinador principal da equipe, sendo o primeiro técnico da história do Hornets.

1988-1992: o início difícil

A equipe de 1988-89, temporada de estreia do Charlotte Hornets na NBA, foi liderada pelo ex-jogador do Detroit Pistons, o ala Kelly Tripucka, que se destacou e foi o artilheiro de Charlotte nas duas primeiras temporadas do Hornets. A equipe também teve o shooter novato (e 1ª escolha da história da franquia no draft) Rex Chapman, que era uma ameaça nos arremessos de longa distância. Outro membro daquele time estreante era o jovem e habilidoso Muggsy Bogues, o menor jogador na história da NBA até então, com apenas 1,60m. O ala-armador Dell Curry, que mais tarde se tornaria um atleta lendário da franquia, também fez parte daquele grupo saindo do banco de reservas. Entretanto, como a maioria das equipes em expansão na NBA, o Hornets teve um início difícil, terminando sua temporada de estreia com um registro 20-62, sem nunca ter vencido mais do que dois jogos seguidos.

A temporada seguinte, 1989-90, foi uma luta do início ao fim. O técnico Harter foi demitido em janeiro, depois que os jogadores se rebelaram contra o seu estilo de defesa orientada. Ele foi substituído pelo assistente técnico Gene Littles. A mudança não surtiu efeito em termos de resultado, e o Hornets terminou sua segunda temporada com um registro 19-63.

Antes da temporada 1990-91, a equipe selecionou o bom ala Kendall Gill no draft, mas o melhor ainda estaria por vir. Em 1991, o Hornets obteve a 1ª escolha global no draft da NBA. Além disso, a cidade de Charlotte sediou o All-Star Game daquele ano. Littles foi demitido no final da temporada e substituído no comando técnico pelo gerente geral Allan Bristow.

Com a primeira escolha, o Hornets selecionou o explosivo ala Larry Johnson, da UNLV. Johnson teve um impacto imediato, terminando sua temporada de estreia entre os líderes da liga em pontos e rebotes, e ganhando o título de NBA Rookie of the Year Award – novato do ano – de 1992. Gill também se destacou na época, com mais de 20 pontos por jogo, e a equipe permaneceu na disputa por um lugar nos playoffs até março.

1992-1999: a ascensão dos zangões

Após os primeiros anos de dificuldade, a sorte começaria a mudar para a equipe de Charlotte. Em 1992, o Hornets obteve a 2ª escolha global do draft, utilizando-a para seleccionar o pivô de Georgetown, Alonzo Mourning. Com isso, o time de 1992-93 passou a ter duas grandes ameaças para seus rivais, Johnson e Mourning, que formavam, com Gill, um trio de jovens muito talentoso. Comandado por eles, o Charlotte Hornets fez um registro 44-38 e alcançou a série de playoffs pela primeira vez na história. O time terminou em quinto na Conferência Leste e encarou o tradicional Boston Celtics na primeira rodada da pós-temporada. Após quatro jogos, o Hornets conseguiu derrubar o rival de Massachusetts. No entanto, ainda faltava-lhes experiência e profundidade para derrotar o forte New York Knicks, caindo em cinco jogos na segunda rodada.

Os anos seguintes foram marcados pelas lesões do ídolo Larry Johnson, embora o Hornets tenha voltado aos playoffs em 1994-95, obtendo sua primeira temporada com 50 vitórias. Contudo, o Chicago Bulls acabou com o sonho do time de Charlotte, ao vencê-lo por 3 a 1 fechando a série logo na primeira rodada.

No verão americano de 1995, o Hornets negociou Mourning com o Miami Heat, recebendo o ala Glen Rice, o pivô Matt Geiger e o armador Khalid Reeves. Geiger se destacou como um dos líderes da equipe em rebotes, enquanto Johnson e Rice garantiam boas pontuações. Na armação do time, Kenny Anderson substituiu o contundido Muggsy Bogues. Apesar das mudanças, o Hornets não conseguiu se classificar para os playoffs durante a temporada 1995-96. Bristow acabou renunciando ao cargo de treinador e foi substituído por Dave Cowens, uma lenda da NBA.

A offseason (entressafra) de 1996 também foi marcada por grandes mudanças: Kenny Anderson se recusou a assinar uma extensão contratual, Larry Johnson foi enviado para o Knicks em troca do ala-pivô Anthony Mason, e a equipe fez um comércio (talvez o mais significativo de sua história) no dia do draft de 1996. O Hornets adquiriu o pivô sérvio Vlade Divac cedendo ao Los Angeles Lakers os direitos sobre o jovem Kobe Bryant, de apenas 17 anos, que foi selecionado pela franquia de Charlotte (13ª escolha global). Embora acredite-se que Bryant se recusou a jogar pelo Hornets e forçou o comércio, alguns garantem que a franquia dos zangões já havia decidido, um dia antes do draft, trocar sua escolha por Divac (e não sabia quem esse jogador seria até 5 minutos antes da escolha ser feita). O fato é que o comércio acabou sendo bom para ambas as equipes na época, já que o Lakers precisava liberar espaço salarial em sua folha para assinar com o astro Shaquille O’Neal, e o Hornets andava atrás de um pivô experiente e confiável. Contudo, logo viu-se que o negócio se tornou ainda melhor para o Lakers, pois Kobe Bryant explodiu se tornando um dos jogadores mais completos da história da NBA, ajudando a franquia de Los Angeles a vencer cinco campeonatos até o momento.

O novo Hornets de 1996-97 foi bem sucedido, com Divac e Geiger se entendendo no garrafão, Mason com médias de duplo-duplo e Bogues de volta à armação. Entretanto, foi Glen Rice quem fez a diferença a favor dos zangões. O ala, especialista em arremessos de média e longa distância, teve a melhor temporada de sua carreira, terminando como terceiro lugar da liga em pontos e sendo eleito para a segunda melhor equipe de jogadores da NBA na época. Rice também foi o MVP do All-Star Game de 1997, estabelecendo vários recordes de pontuação. A equipe também conseguiu a segunda melhor temporada de sua história (54 vitórias), retornando aos playoffs. No entanto, logo na primeira rodada, eles acabaram dominados pelo Knicks e foram eliminados em três jogos.

A temporada 1997-98 também foi bem sucedida. A equipe contratou dois agentes livres que rapidamente deram certo em Charlotte: o armador David Wesley e o ala Bobby Phills. Com Wesley, Phills, Rice, Mason e Divac, o Hornets cumpriu uma boa campanha na temporada regular, terminando em quarto lugar, com Rice sendo eleito para a terceira melhor equipe de jogadores da NBA na época. O Hornets passou pelo Atlanta Hawks na primeira rodada dos playoffs, mas acabou caindo na segunda rodada, diante do poderoso Chicago Bulls, de Michael Jordan e Scottie Pippen. O fim dessa temporada marcou a despedida do ala-armador Dell Curry do time dos zangões (se transferiu para o Milwaukee Bucks). Após dez anos com a equipe, ele atingiu três recordes importantíssimos dentro da franquia: número de jogos (706), pontuação (9.839) e cestas de três pontos (929), além de ter sido o único jogador do Hornets eleito Sexto Homem do Ano na NBA (1994) até os dias de hoje.

Apesar do relativo sucesso em anos anteriores, o Charlotte Hornets teve um 1998-99 bastante turbulento, com o ídolo Glen Rice sendo enviado para o Lakers, em troca do ala Eddie Jones e do pivô Elden Campbell. Cowens renunciou ao cargo de treinador no meio do bloqueio da temporada encurtada (greve de jogadores na época), e foi substituído pelo ex-companheiro dos tempos de Celtics, Paul Silas. O time acabou fora dos playoffs de 1999.

1999–2002: uma nova era

O ano de 1999 acabou sendo marcante para o Charlotte Hornets. O time adquiriu, como agente livre, o ala-pivô Derrick Coleman e o armador Baron Davis, esse selecionado na terceira escolha global do draft. O quinteto titular com Wesley, Jones, Mason, Coleman e Campbell iniciou a temporada obtendo boas vitórias. Infelizmente, uma tragédia pegou a todos de surpresa. Em 12 de janeiro de 2000, o reserva Bobby Phills, um dos favoritos dos fãs, faleceu em um acidente automobilístico. O Hornets aposentou sua camiseta #13, em 09 de fevereiro daquele ano.

Mesmo com a tristeza abatendo os jogadores, a equipe foi capaz de retornar aos playoffs, onde acabou derrotada pelo Philadelphia 76ers. Eddie Jones se tornou o principal jogador do Hornets e liderou a liga em roubos de bola. Contudo, no verão americano de 2000, ele acabaria trocado para o Miami Heat, que também recebeu Anthony Mason. Com isso, foram enviados para Charlotte o ala Jamal Mashburn e o ala-pivô PJ Brown.

A temporada 2000-01, entretanto, foi ofuscada pelos acontecimentos fora da quadra. A popularidade do time começou a cair devido à insatisfação do público de Charlotte com o dono do time, o empresário George Shinn. Alguns o acusavam de ter negociado Alonzo Mourning e várias outras estrelas da equipe por não se mostrar disposto a pagar a esses jogadores o valor de mercado na época. Michael Jordan, já aposentado das quadras (retornaria mais tarde para jogar pelo Washington Wizards), iniciou negociações para se tornar co-proprietário do Hornets, mas as conversas fracassaram quando Shinn não aceitou que Jordan obtivesse o controle total sobre as operações de basquete da franquia.

Entretanto, o fato que gerou maior insatisfação do público e ganhou manchetes nos EUA aconteceu quando uma mulher alegou que Shinn a teria estuprado, em 1997. Embora ele tenha sido capaz de evitar uma ação civil contra si, o julgamento do caso afetou gravemente a sua reputação na cidade de Charlotte. O comparecimento dos fãs aos jogos da equipe caiu drasticamente e nunca se recuperou. Apesar de amantes do basquete, os torcedores fizeram questão de demonstrar sua insatisfação com Shinn. E a equipe acabou pagando um alto preço por isso.

Voltando às quadras, em 2000-01, o Hornets atuou com um ótimo quinteto formado por Wesley, Davis, Mashburn, Brown e Campbell. O time não só alcançou os playoffs como atropelou o forte Miami Heat na primeira rodada, chegando às semifinais da Conferência Leste pela terceira vez na história da franquia. Entretanto, o Hornets acabaria eliminado pelo Milwaukee Bucks, em uma série equilibrada de sete jogos. Mantendo a base do elenco na temporada seguinte, a equipe retornou às semifinais de conferência, ao bater o Orlando Magic na primeira rodada dos playoffs. Entretando, em seguida, o Hornets acabou eliminado pelo New Jersey Nets, em cinco jogos.

2002: a saída de Charlotte

Mesmo com o Hornets colocando uma equipe competitiva em quadra, a presença do público nos jogos caiu drasticamente, em grande parte porque Shinn havia se tornado persona non grata na cidade. O Hornets passou a ser uma das piores franquias da NBA, em termos de comparecimento de torcedores, um contraste marcante com os seus primeiros anos na liga. Shinn também estava insatisfeito com a situação do Charlotte Coliseum, que ele julgava ser uma arena já ultrapassada. Dessa forma, o empresário finalmente deu um ultimato: a menos que a cidade construísse uma nova arena, sem qualquer custo para ele, o Hornets sairia de Charlotte. A cidade inicialmente se recusou, levando Shinn a considerar uma mudança para a franquia. Ele cogitou cidades como Norfolk, Louisville, St. Louis e Memphis, das quais somente St. Louis tinha um maior mercado de mídia do que Charlotte.

Finalmente, uma nova arena (que acabaria por se tornar a Charlotte Bobcats Arena e, mais tarde, a Time Warner Cable Arena) foi incluída em um referendo (consulta popular) na cidade, e Shinn resolveu desistir de mover a equipe. As pesquisas apontavam que a construção da nova arena estava a caminho de ser aprovada. No entanto, poucos dias antes da votação do referendo, o então prefeito de Charlotte, Pat McCrory, vetou um decreto para o aumento do salário mínimo. O veto levou muitos dos pastores negros da cidade a se oporem ao referendo. Eles sentiram que era imoral a cidade construir uma nova arena, com a parte menos favorecida da população passando por dificuldades financeiras.

Após o fracasso do referendo, os líderes da cidade elaboraram um plano para construir uma nova arena sem a necessidade do apoio popular. Entretanto, eles lançaram uma declaração ameaçando desistir do projeto, caso Shinn não vendesse a equipe. Embora a NBA admitisse o desgaste da imagem de Shinn junto aos fãs, os oficiais da liga consideraram que o empresário estava sendo vítima da raiva de outros proprietários. Com isso, o conselho da cidade se recusou a retirar a declaração, levando o Hornets a solicitar uma mudança para New Orleans. Apesar da cidade de New Orleans ser um mercado menor de televisão, um acordo foi feito rapidamente para que o time do Hornets jogasse na New Orleans Arena, ao lado do Louisiana Superdome. Antes que o Hornets fosse eliminado dos playoffs (2001-02), a NBA aprovou o negócio. Como parte de um acordo, a liga prometeu que Charlotte iria receber uma nova equipe (dois anos mais tarde, a cidade receberia a franquia Bobcats).

Em uma entrevista ao jornal Charlotte Observer no ano de 2008, George Shinn (que não retornou à cidade desde que o Hornets se mudou) admitiu que o “mau julgamento que fiz em minha vida” foi decisivo para que o time partisse de sua terra natal. Ele também disse que se ele tivesse que fazer tudo de novo, ele não teria afastado a equipe do público depois da acusação de agressão sexual. Shinn também enfatizou o comprometimento da franquia com New Orleans, dizendo: “Eu cometi erros suficientes na minha vida. Eu não vou cometer um aqui. Esta cidade (New Orleans) precisa de nós aqui. Nós vamos fazer a coisa funcionar”.

2002-2005: a NBA retorna a New Orleans

O Hornets abriu sua temporada inaugural em New Orleans, em 30 de outubro de 2002, contra o Utah Jazz (que era originalmente o New Orleans Jazz [1974-1979]), com uma vitória por 100-75. Pete “Pistol” Maravich, jogador lendário do Jazz na década de 1970, teve seu número postumamente aposentado durante o intervalo. Foi a primeira temporada regular da NBA com um jogo disputado em New Orleans em mais de 17 anos (houve alguns jogos de exibição na cidade ao longo dos anos, incluindo o então Charlotte Hornets, em 2000). Com praticamente a mesma base da temporada anterior (última disputada em Charlotte), o Hornets se classificou para os playoffs (ainda atuando no Leste) pelo quarto ano consecutivo em 2002-03, mas foi derrotado por 4 a 2 pelo Philadelphia 76ers logo na primeira rodada.

Após sua primeira temporada em New Orleans, a franquia inesperadamente demitiu o técnico Paul Silas, que vinha realizando um belo trabalho desde que assumiu o comando do time, em 1999. Ele foi substituído por Tim Floyd. Em 2003-04, o Hornets teve um início 17-7, mas não foi bem no fim da temporada regular e terminou em 41-41, perdendo por pouco a vantagem de decidir em casa a primeira rodada dos playoffs. Os zangões enfrentaram o Miami Heat, com cada time vencendo todos os seus jogos em casa. No primeiro duelo, em Miami, um tiro certeiro do então novato Dwyane Wade no estouro do cronômetro fez toda a diferença na série, que acabou vencida pelo Heat por 4 a 3.

No fim da temporada, Floyd foi demitido e a equipe contratou Byron Scott como treinador. Com o surgimento do Bobcats, o novo time de Charlotte, o Hornets saiu da Divisão Central da Conferência Leste e passou a fazer parte da difícil Divisão Sudoeste da Conferência Oeste, que inclui, além dos zangões, quatro equipes: San Antonio Spurs, Dallas Mavericks, Houston Rockets e Memphis Grizzlies. Com a forte concorrência, a equipe teria muitas dificuldades para alcançar os playoffs.

Em uma temporada (2004-05) marcada por lesões de três All-Stars na época (Baron Davis, Jamaal Magloire e Jamal Mashburn), um começo 0-8 rapidamente tornou-se um recorde negativo 2-29 (incluindo uma derrota para o estreante Charlotte Bobcats na volta do Hornets a Charlotte). Os zangões estavam a caminho de se tornar o pior time da história da NBA, ameaçando “superar” o Philadelphia 76ers de 1973 (9-73). Contudo, a equipe obteve um melhor desempenho em janeiro e fevereiro e fechou a temporada 2004-05 em 18-64, a pior campanha de sua história. Como resultado do insucesso, o elenco foi reformulado, com veteranos como Baron Davis e Jamal Mashburn sendo negociados para que a franquia iniciasse um processo de reconstrução. A equipe também adquiriu Jimmy Jackson do Houston Rockets, mas Jackson se recusou a jogar em New Orleans e acabou trocado novamente, desta vez para o Phoenix Suns, que enviou Maciej Lampe, Casey Jacobsen e Jackson Vroman aos zangões. No entanto, nenhum desses atletas teve um impacto significativo. Com a quarta escolha global no draft de 2005, o Hornets selecionou um jovem armador que viria a se tornar uma estrela e colocaria os zangões quase no topo do Oeste dentro de poucos anos: Chris Paul.

2005-2007: o furacão Katrina e a ida para Oklahoma City

A devastação catastrófica imposta pelo furacão Katrina às comunidades do sudeste da Louisiana fez com que a franquia Hornets temporariamente mudasse sua base de operações para Oklahoma City, em 2005-06 e 2006-07. Durante esse período, a franquia passou a ficar conhecida como New Orleans / Oklahoma City Hornets. Nessas duas temporadas, a grande maioria dos jogos em casa foi disputada no Ford Center, de Oklahoma City, enquanto alguns permaneceram na New Orleans Arena. Os treinamentos do time em Oklahoma City foram realizados no Sawyer Center, no campus da Southern Nazarene University (SNU). Em 2006, a equipe realizou seu acampamento de treinos em New Orleans, no Alario Center, em Westwego, Louisiana.

Para a temporada 2005-06, o time disputou 36 jogos em Oklahoma City, com um jogo acontecendo no Noble Lloyd Center, no campus da Universidade de Oklahoma, três em New Orleans e um no Pete Maravich Assembly Center, no campus da Louisiana State University (LSU). A intenção era seguir jogando em Baton Rouge (na LSU), mas os progressos realizados na restauração da New Orleans Arena possibilitou o retorno dos jogos a New Orleans, uma opção melhor.

O Hornets começou a temporada 2005-06 da NBA melhor que o esperado, mesmo após o pivô reserva Chris Andersen ter recebido uma severa suspensão de dois anos devido a uso de drogas. Os zangões usaram isso como motivação, e a equipe chegou a estar na sexta colocação do Oeste. Contudo, porém, o time tropeçou em suas limitações e perdeu 12 de 13 jogos em um momento decisivo da temporada regular, saindo do grupo que iria disputar os playoffs. Além disso, o Hornets acabou estabelecendo um recorde negativo na NBA, quando marcou apenas 16 pontos na segunda metade (dois quartos) de um jogo, contra o Los Angeles Clippers. Apesar do mau momento, a equipe foi se recuperando aos poucos e fez um esforço final para buscar um lugar nos playoffs, mas terminou em 38-44, o 10 º lugar na Conferência Oeste. Mesmo com o fracasso, Chris Paul venceu o prêmio de NBA Rookie of the Year Award (2006) – novato do ano -, e outros jogadores do Hornets também estiveram disputando alguns prêmios individuais.

Atrás de melhores resultados, o Hornets fez alterações no elenco após a temporada 2005-06. A meta era avançar para os playoffs da Conferência Oeste pela primeira vez. Para atingir isso, a franquia enviou o ala JR Smith e o ala-pivô PJ Brown para o Chicago Bulls e recebeu o pivô Tyson Chandler. Com a saída do armador Speedy Claxton para o Atlanta Hawks, o Hornets trouxe os agentes livres Bobby Jackson e Jannero Pargo para se revezarem na reserva de Chris Paul. O time também contratou o ala sérvio Peja Stojakovic, um exímio arremessador de longa distância.

Devido à boa estrutura, o Hornets optou por manter sua base de operações em Oklahoma City para a temporada 2006-07, já que New Orleans ainda passava por um processo de reconstrução pós-Katrina. Entretanto, a franquia prometeu retornar a New Orleans em tempo integral, possivelmente já em 2007. Durante a temporada 2006-07, o Hornets jogou, em casa, 35 partidas na cidade de Oklahoma e seis em New Orleans. A equipe terminou a temporada regular com um recorde de 39-43, uma vitória a mais do que na temporada anterior, novamente na 10ª colocação no Oeste. E a passagem da equipe da Louisiana por Oklahoma City foi tão bem sucedida, que, sem dúvida, contribuiu para a cidade ser nomeada como a nova casa da franquia Seattle SuperSonics, a partir da temporada 2008-09 da NBA (com o nome de Oklahoma City Thunder).

2007-2010: o retorno a New Orleans

O Hornets voltou a New Orleans de forma integral para a temporada 2007-08, com todos os 41 jogos em casa disputados na New Orleans Arena. Além disso, a franquia garantiu que iria ajudar na recuperação da cidade após a devastação imposta pelo Katrina. Encampando a causa, a NBA resolveu realizar o All-Star Game 2008 em New Orleans, com uma campanha séria de auxílio às vítimas que se iniciou em fevereiro de 2007. Posteriormente, vários acordos de patrocínio corporativo foram assinados, com o Hornets sendo parte de um projeto de marketing feito a favor da cidade.

Em relação ao time, a franquia assinou com os agentes livres Morris Peterson e Melvin Ely e prorrogou o contrato do armador reserva Jannero Pargo. Além disso, selecionou o ala Julian Wright, com a 13ª escolha no draft de 2007.

No início da temporada 2007-08, o público presente à New Orleans Arena não era muito grande, mas à medida que o time surpreendia o mundo, o Hornets começou a fazer algumas apresentações com a arena lotada. A equipe chegou a registrar sell-outs (ingressos esgotados) em 12 dos seus últimos 17 jogos em casa na temporada regular, com público máximo em 13 (incluindo os playoffs).

Mais forte em relação a épocas anteriores, o Hornets obteve um registro 29-12 na metade da temporada. Possuindo a melhor campanha da Conferência Oeste em 03 de fevereiro de 2008, o técnico Byron Scott foi indicado para treinar a seleção da Conferência Oeste no All-Star Game 2008, em casa, na New Orleans Arena. Scott foi acompanhado por dois de seus jogadores, Chris Paul e David West, que foram selecionados como reservas no Jogo das Estrelas. Além disso, Chris Paul teve um ano fantástico e foi nomeado para a eleição de MVP (jogador mais valioso da temporada) da NBA em 2008, terminando na segunda colocação. Em 21 de fevereiro, o Hornets realizou uma troca com o Houston Rockets para adquirir o ala Bonzi Wells e o armador Mike James enviando o veterano Bobby Jackson para a equipe texana.

Os zangões terminaram a temporada regular 2007-08 com um incrível registro de 56-26, realizando a campanha de maior sucesso da história da franquia. O Hornets também ganhou seu primeiro título de divisão, conquistando a Divisão Sudoeste, à frente do forte San Antonio Spurs. Garantindo o 2º lugar geral da Conferência Oeste, Chris Paul e cia. atropelaram o Dallas Mavericks na primeira rodada dos playoffs. O rival seguinte, San Antonio Spurs, acabaria impondo uma dura derrota para um time que parecia destinado a jogar a primeira final de conferência de sua história. O Hornets chegou a abrir 2 a 0 na série semifinal, mas acabou sendo derrotado pelos texanos, por 4 a 3, em duelos emocionantes e equilibrados. Assim quis o destino. E apesar da derrota, Chris Paul saiu consagrado como um dos melhores armadores do mundo, e Byron Scott foi eleito NBA Coach of the Year (2008) – técnico do ano.

Em agosto de 2008, o Hornets apresentou um logotipo modificado e novos uniformes com as cores azul (mais escuro), branca, púrpura e dourada. E depois de seis temporadas, os riscos verticais foram reintegrados aos uniformes. O design foi mudado em alusão à arquitetura em ferro forjado de New Orleans. Um novo logotipo alternativo, com o zangão estilizado em uma flor de lis (símbolo da cidade), foi introduzido nos uniformes do time e no piso da quadra da New Orleans Arena. E um terceiro logotipo, com o nome “NOLA”, também foi criado, com a sigla (cidade-estado) e um trompete. A equipe também anunciou publicamente a venda antecipada de mais de 10 mil bilhetes para a temporada 2008-2009, um recorde desde a transferência de Charlotte.

Tendo experimentado a época de maior sucesso na história da franquia, tanto na temporada regular quanto nos playoffs, a temporada 2008-09 da NBA foi encarada com grande expectativa pela equipe e seus torcedores. Vários especialistas escolheram o Hornets para repetir a conquista da Divisão Sudoeste e como um potencial campeão da Conferência Oeste.

Os principais jogadores do elenco de 2007-08 acabaram mantidos para o início da temporada 2008-09. Além disso, o experiente ala James Posey assinou como agente livre para reforçar ainda mais a equipe de New Orleans. Em contrapartida, o armador reserva Jannero Pargo acabou se transferindo para o basquete europeu, o que forçou o Hornets a contratar Antonio Daniels, em um negócio que envolveu três equipes. No dia 18 de fevereiro de 2009, um comércio que enviaria o pivô Tyson Chandler para o Oklahoma City Thunder, em troca dos alas-pivôs Joe Smith e Chris Wilcox, foi anunciado. Para o Hornets, o objetivo do negócio era obter alívio na folha salarial, algo que teria deixado o armador Chris Paul bastante descontente. Entretanto, dentro de um dia, o comércio foi desfeito, já que Chandler teria se apresentado ao Thunder com um dedo do pé lesionado.

Pelo segundo ano consecutivo, o Hornets foi representado por dois jogadores no NBA All Star Game, que foi realizado em Phoenix. Chris Paul foi votado pelos fãs para assumir a armação titular do Oeste, enquanto David West foi escolhido como reserva pelos treinadores da liga.

Contrariando as expectativas positivas, a temporada 2008-09 acabou sendo de altos e baixos para o Hornets, e, em abril, ficou claro que o recorde de 56-26 da época anterior era inatingível. A queda de desempenho se deveu, principalmente, a problemas de lesão em jogadores importantes, como Tyson Chandler e Peja Stojakovic. O Hornets terminou a temporada com um recorde de 49-33, na decepcionante quarta colocação da Divisão Sudoeste. A equipe terminou na 7ª posição geral da Conferência Oeste e foi aos playoffs sem a mesma confiança de um ano atrás. Enfrentando o Denver Nuggets na primeira rodada da pós-temporada 2009, o Hornets acabou perdendo os dois primeiros jogos da série, em Denver. No entanto, venceu o primeiro duelo em New Orleans, diminuindo a vantagem do rival para 2 a 1. Só que a partida seguinte, também na Louisiana, acabou sendo brutal para os zangões. O Hornets sofreu a pior derrota de sua história em playoffs, sendo atropelado com um inacreditável placar de 121 a 63. Inteiramente atordoado, o Hornets acabou sucumbindo de vez à equipe de Denver no jogo 5, com o Nuggets fechando a série em 4 a 1. Após o vexame, iniciou-se a especulação sobre uma futura reconstrução da equipe de New Orleans.

O fim da temporada 2008-09 fez com que a franquia voltasse sua atenção para o teto salarial do elenco. Chegou-se à conclusão de que o Hornets teria que realizar cortes em sua folha de pagamento. No início do período de agência livre da NBA, em 01 de julho de 2009, o time de New Orleans tinha a maior folha de pagamento dentre todas as equipes da liga, chegando a 77 milhões de dólares. Quando o luxury tax level (imposto pago pela franquia quando ela ultrapassa o limite salarial estipulado pela liga) foi criado em 07 de julho, o Hornets mostrou um excesso de 7 milhões de dólares na zona fiscal, tendo que pagar exatamente esse valor à liga.

Apesar dos comentários de George Shinn, proprietário da equipe, sobre a intenção de construir um time competitivo e vencedor, o fato é que o Hornets precisava desesperadamente cortar gastos. Em 28 de julho de 2009, a franquia trouxe o pivô Emeka Okafor, do Charlotte Bobcats, em troca de Tyson Chandler. O movimento permitiu que o Hornets cortasse 1,3 milhões de dólares de sua folha de pagamento para 2009-10, embora a franquia também tivesse que assumir o restante do contrato de Okafor, avaliado em pouco menos de 63 milhões de dólares por 5 anos.

Com a ordem de evitar gastos, a equipe acabou sendo reforçada através de suas escolhas de draft. Em 25 de junho de 2009, o Hornets selecionou o jovem armador Darren Collison, com a 21ª escolha do draft de 2009. A franquia também trocou duas futuras escolhas de segunda rodada para o Miami Heat pelo recém-draftado ala Marcus Thornton (43ª escolha). Em 12 de agosto de 2009, o Hornets enviou seu ala titular Rasual Butler para o Los Angeles Clippers em troca de uma escolha de segunda rodada do draft de 2016, numa tentativa desesperada de diminuir sua folha de pagamento. Butler receberia 3,9 milhões de dólares na temporada 2009-10, mas devido ao Hornets estar na zona de impostos, esse valor efetivamente dobraria (por causa da multa). Além disso, em 09 de setembro, o Hornets negociou o veterano armador Antonio Daniels para o Minnesota Timberwolves, em troca do também armador Bobby Brown e do ala-pivô Darius Songaila.

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4 respostas para História da franquia

  1. Ricardo Faria disse:

    Legal..legal….diga +…diga +!!!

  2. andre agostini disse:

    continua q ta fikando interessante 😀

  3. Nithenz disse:

    Muito bom, mais como no falar da Dell Curry, o maximo anotador da franquia? ( Sorry for my ugly portuguese if u can call it that, spanish speaker here and my portuguese is really rusty )

  4. Lucas Ottoni disse:

    Nithenz,

    Dell Curry and others emblematic Hornets players will receive a special mention here on the blog. We are still under construction, and we’ll straighten out much here.

    Thanks for the message, guy.

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